Princípios de Formação para Adultos

Compiled by:
Sreevidya Satish (Ecosan Services Foundation), Tradução para Português: Verónica Amado (Acquawise Consulting), Edição e Adaptação: Raquel Mendes (Acquawise Consulting)

Sumário Executivo

As oportunidades de ensino para os adultos variam desde a aprendizagem em instituições formais à aprendizagem prática do dia-a-dia no trabalho. Neste contexto é importante reconhecer os conhecimentos prévios e a experiência dos alunos, incluindo a sua capacidade de reconhecer as suas próprias competências adquiridas ao longo da vida. As considerações sobre o desenvolvimento e aprendizagem de adultos devem incluir o desenvolvimento biológico, psicológico, sociocultural e as perspetivas integradas de desenvolvimento. Um dos motivos mais comuns para os adultos frequentarem ações de formação é a ocorrência de uma situação que altera o seu modo de vida. Quando se encontram neste ambiente existem muitos fatores que afetam a experiência de aprendizagem (MERRIAM, & CAFFARELLA 1999).

Introdução

Os educadores têm tradicionalmente apoiado a posição de que a aprendizagem é um processo que decorre ao longo da vida, mas poucos têm reconhecido que a aprendizagem acontece de formas diferentes nas várias fases da vida. Investigações realizadas indicam que as crianças de sete anos de idade têm um padrão de aprendizagem diferente do que um aluno finalista do secundário, ou um adulto. Até recentemente, as mesmas teorias de aprendizagem, ou pedagógicas, eram aplicados a todos os contextos formativos independentemente da maturidade dos alunos (RICHARDSON & PRICKETT 1994). Ser um formador eficaz envolve perceber qual é a melhor forma de ensinar alunos adultos. Como alunos, os adultos têm necessidades e requisitos diferentes, comparados com as crianças e adolescentes.

Aprendizagem de adultos

Comparados com as crianças, os adultos são mais autónomos. Os adultos necessitam de ser livres para escolherem a direção que desejam seguir. Os formadores em Inglês devem envolver ativamente os participantes adultos no processo de aprendizagem. Especificamente, devem ter em consideração a opinião dos participantes sobre os tópicos a considerar na formação e deixá-los trabalhar em projetos que reflitam os seus interesses. Os formadores devem orientar os participantes de forma a que estes apreendam o conhecimento que lhes é transmitido em vez de apenas lhes fornecer factos (STEPHEN 1991).

Os adultos são mais focados – conseguindo distinguir mais facilmente que as crianças quais os tópicos mais ou menos relevantes. Devem ter um motivo para aprender. O que estão a aprender tem de ser útil e ter uma aplicação no seu trabalho ou em outras responsabilidades.

Os adultos são práticos, focando-se nos aspetos da aula mais úteis para o seu trabalho. Eles podem não estar interessados no conhecimento propriamente dito (KNOWLES 1998).

Ao contrário de crianças e adolescentes, os adultos têm muitas responsabilidades que têm de contra balançar com as exigências da aprendizagem. Devido às suas responsabilidades, os adultos têm diversos obstáculos (falta de tempo, dinheiro, confiança, etc.) ao seu processo formativo.

      Ecosan Services Foundation)

Figura 1: Participantes num curso da ecosan na índia a representarem. Enquanto o “aluno ativo” pode retirar muito deste tipo de exercícios, os “reflexivos” preferem um ambiente de aprendizagem diferente (Fonte: Ecosan Services Foundation)     

Apesar deste denominador comum nos alunos adultos, existem formas diferentes das pessoas aprenderem. HONEY (1992), por exemplo, descreve quatro tipos de indivíduos, que têm preferências diferentes de formas de aprendizagem:

  • Ativos
  • Reflexivos
  • Teóricos
  • Pragmáticos

Ativos:

Os ativos gostam de estar envolvidos em novas experiências. Possuem uma abertura de espírito e demonstram entusiasmo sobre novas ideias, mas ficam aborrecidos com a sua implementação. Eles apreciam fazer coisas e tendem a agir antes e só depois considerar as suas implicações. Os ativos gostam de trabalhar em grupo mas tendem a ser o centro das atenções.

Ativos aprendem melhor quando:Ativos têm maior dificuldade em aprender quando têm de:
  • Estão envolvidos em novas experiências, problemas e oportunidades
  • Trabalham com outros em jogos, tarefas de equipa, ou em jogos de interpretação de personagens em Inglês
  • São “lançados” para um beco-sem-saída e com uma tarefa 
  • Ouvir lições ou explicações longas
  • Ler, escrever ou pensar por si próprios
  • Absorver e compreender dados
  • Seguir instruções à letra

Reflexivos:

Os reflexivos gostam de fazer um ponto de situação e olhar para a situação de diferentes perspetivas. Eles gostam de recolher a informação e pensar sobre a mesma cuidadosamente antes de retirarem qualquer conclusão. Os reflexivos gostam de observar os outros e escutarão as suas ideias antes de partilharem com os outros as suas.

Reflexivos aprendem melhor quando:Reflexivos têm maior dificuldade em aprender quando:
  • Observam indivíduos ou grupos a fazerem alguma coisa
  • Têm a oportunidade de rever o que aconteceu e pensar sobre o que aprenderam
  • Fazem análises e relatórios e outras tarefas sem ter de estar preocupado com prazos a cumprir
  • Agem como um líder ou participam em jogos de interpretação de personagens em frente dos outros
  • Executam tarefas sem as ter preparado antecipadamente
  • São “levados” para um beco-sem-saída
  • Estão apressados ou preocupados com prazos a cumprir

Teóricos:

Os teóricos adaptam e integram observações em teorias complexas e lógicas. Eles pensam cuidadosamente nos problemas. Tendem a ser perfecionistas e gostam de enquadrar as coisas num esquema racional. Os teóricos tendem a ser independentes e analíticos em vez de subjetivos ou emotivos na sua forma de pensar. 

Teóricos aprendem melhor quando:Teóricos têm maior dificuldade em aprender quando:
  • São colocados em situações complexas onde têm de utilizar as suas competências e conhecimentos
  • Estão perante situações estruturadas com objetivos bem definidos
  • São lhes oferecidas ideias ou ainda conceitos interessantes, apesar de numa primeira instância parecer que não são relevantes
  • Têm a oportunidade de questionar e explorar as ideias que estão por detrás 
  • Têm de participar em situações em que têm de dar ênfase às emoções e sentimentos
  • A atividade não está estruturada ou o conjunto de informações transmitidas é insuficiente
  • Têm de fazer coisas sem saber os princípios ou conceitos envolvidos
  • Sentem que não estão em sintonia com os outros participantes, por exemplo com pessoas com estilos de aprendizagem muito diferentes

Pragmáticos:

Os pragmáticos estão desejosos por experimentarem tudo. Querem conceitos que podem ser aplicados no seu trabalho. Os pragmáticos tendem a ser impacientes com longas discussões em Inglês, são práticos e pessoas terra a terra.

Pragmáticos aprendem melhor quando:Pragmáticos têm maior dificuldade em aprender quando:
  • Há uma correlação óbvia entre o tópico da formação e o seu trabalho 
  • Têm a oportunidade de testar técnicas onde obtêm resposta de terceiros, por exemplo em jogos de interpretação de personagens em Inglês
  • Lhes são demonstradas técnicas que apresentam vantagens óbvias, como por exemplo poupar tempo e dinheiro
  • Têm um exemplo a seguir e um especialista credível
  • Não existe um benefício óbvio ou imediato que possam reconhecer
  • Não existem orientações em como o fazer
  • Não há nenhum retorno aparente para a aprendizagem, como seja, por exemplo, poupar tempo ou dinheiro
  • O evento ou aprendizagem é exclusivamente teórico

Muitos de nós temos mais de um estilo de aprendizagem. Conhecer quais são os nossos estilos mais fortes e fracos irá ajudar a identificar como melhor aprendemos. Como formador, o conhecimento dos diferentes estilos irá ajudar a conceptualizar ações de formação estimulantes e eficazes.

O estilo de aprendizagem pode afetar o estilo de formação!

Como formador, deve-se estar consciente de como o nosso próprio estilo de aprendizagem pode afetar a escolha das atividades de formação. Deve-se considerar todos os estilos de aprendizagem, e não apenas aqueles que podemos naturalmente preferir.

ATIVOS irão provavelmente favorecer mais:TEÓRICOS irão provavelmente favorecer mais:
  • Uma maior variedade de diferentes atividades 
  • Troca de ideias (Brainstorming) em Inglês
  • Atividades experimentais
  • Jogos ou jogos de interpretação de personagens em Inglês
  • Tarefas em grupo
  • Atividades “quebra-gelo” em Inglês e energizadoras em Inglês
  • Atividades para resolução de problemas
  • Atividades não planeadas e destruturadas 
  • Análise da informação
  • Apontamentos em Inglês com informação básica detalhada
  • Apresentação de teorias, modelos, conceitos
  • Sessões de perguntas e respostas
  • Relacionar a atividade da formação com um(a) teoria/modelo relevante
  • Situações estruturadas
REFLEXIVOS irão provavelmente favorecer mais:PRAGMÁTICOS irão provavelmente favorecer mais:
  • Atividades baseadas em trabalho precedente à ação de formação
  • Troca de informação
  • Observar ou utilizar observadores
  • Investigação e análise 
  • Rever atividades de grupo para tirar lições
  • Mostrar DVD’s e vídeos
  • Discussões de grupo estruturadas
  • Utilização de Vídeo em Inglês para gravar atividades ou jogos de interpretação de personagens em Inglês
  • Atividades que têm um resultado final quantificável
  • Atividades que permitem obter resultados práticos imediatos
  • Casos de estudo diretamente relacionados com a experiência das pessoas
  • Demonstrações
  • Exercícios práticos que dão aos participantes a oportunidade de experimentar coisas novas
  • Simulações de situações “reais”

Considerando estas diferenças, não existe uma abordagem suficientemente ampla que se adeque na perfeição a todas as formas diferentes de aprendizagem para a formação de adultos. O que pode ser dito é que todos os tipos de formandos irá preferir uma mistura de diferentes métodos de ensino em vez de uma série de aulas monótonas e sem interação.

Assim, compreender o aluno adulto é crucial para o sucesso desta abordagem de aprendizagem. Os alunos adultos precisam de oportunidades contínuas para identificar as suas necessidades e reconhecer a importância da sua aprendizagem nas suas próprias vidas. Os alunos adultos necessitam de oportunidades de aprendizagem personalizadas em que eles podem participar ativamente (KROEHNERT 2007). Necessitam de pensar ativamente, para executarem, e para refletir sobre as experiências, para as discutir em Inglês com os outros, e para praticar e aprender novas competências. O aluno adulto necessita de uma comunicação interativa tanto com o formador, assim como com os restantes formandos. O aluno necessita de reavaliar continuamente a questão, “Onde estou agora e para onde eu quero ir?”

Aplicação

A compreensão do aluno adulto é muito importante para poder promover ações de formação para adultos bem sucedidas. É crucial que os formadores tenham conhecimento sobre as diferentes técnicas de aprendizagem e saibam como utilizar estas diferentes técnicas.

Vantages

  • Conhecimentos em aprendizagem de adultos e capacidade dos formadores para direccionar para as necessidades de formação dos participantes, programas diversos e interessantes irão aumentar a aprendizagem dos adultos e o sucesso da mesma
  • Sabendo quais as diferenças no processo de aprendizagem de diferentes indivíduos pode ajudar o formador a reconhecer os pontos fortes do participante tal como as áreas em que não é tão forte

Desvantages

  • Os participantes podem ser improdutivos se não forem devidamente orientados em outro género de formação alternativos (outros que não aulas)
  • A adaptação de uma ação de formação às necessidades de aprendizagem dos participantes é mais exigente e demorada do que apenas fornecer uma série de aulas teóricas

Referências Library

KROEHNERT, G. (2007): Basic Training for Trainers. New Delhi: Tata McGraw-Hill.

MERRIAM, S. B.; CAFFARELLA, R.S. (Editor) (1999): Learning in adulthood: A comprehensive guide . San Francisco, CA: Jossey-Bass Inc.

KNOWLES, M. (1998): The Adult Learner. Austin: Gulf Publishing.

RICHARDSON, M.D.; PRICKETT, R.L. (1994): Recognizing How Adults Learn: Implications for Principals. In: NASSP Bulletin 78, 85-89.

LIEB, S. (1991): Principles of Adult Learning. Arizona: South Mountain Community College from VISION. URL [Accessed: 07.05.2012].

Leituras Complementares Library

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SAMARTINO, L.; TORRES, M. (1997): Educação de Adultos . Cadernos de Formação n.º 3. Lisboa: Ministério da Educação. Departamento da Educação Básica. Núcleo de Educação Recorrente e Extra-Escolar. URL [Accessed: 28.07.2014].

Documento destinado à educação recorrente de alunos onde são explorados os diferentes estilos de aprendizagem na educação de adultos, algumas razões de fracasso na educação de adultos, o que sente o educando adulto, histórias de vida, a abordagem biográfica enquanto opção metodológica, os adultos e o processo de ensino e a educação socializadora dos adultos.

Language: Portuguese


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UNESCO (Editor) (2010): Relatório Global sobre Aprendizagem e Educação de Adultos. Brasília: Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). URL [Accessed: 19.05.2014].

O Relatório Global sobre Aprendizagem e Educação de Adultos é baseado em 154 relatórios regionais produzidos pelos países membros da UNESCO, sobre a situação da educação e da aprendizagem de adultos, cinco Relatórios Regionais de Síntese e literatura secundária. A sua finalidade é proporcionar uma visão geral das tendências na educação e aprendizagem de alunos, assim como identificar os principais desafios.

Language: Portuguese


Material de Formação Library

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ALONSO, C.; DOMINGO, J.; HONEY, P. (n.y.): Questionário Honey-Alonso de Estilos de Aprendizagem. URL [Accessed: 24.07.2014].

Questionário "on-line" de Honey-Alonso para identificar estilos de aprendizagem.

Language: Portuguese


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MIRANDA, L.; MORAIS, C. (2008): Estilos de Aprendizagem: O Questionário CHAEA Adaptado para Língua Portuguesa. In: Revista de Estilos de Aprendizaje 1, 66-87. Madrid: Universidad Nacional de Educación a Distancia. URL [Accessed: 24.07.2014].

Artigo, onde é exposto o conceito de estilo de aprendizagem, sua identificação e caracterização, apresentada a adaptação e validação do Questionário Honey-Alonso de Estilos de Aprendizagem, Cuestionario Honey-Alonso de Estilos de Aprendizaje (CHAEA), para língua portuguesa.

Language: Portuguese


Ligações Úteis

http://www.estilosdeaprendizaje.es/menuprinc2p.htm [Accessed: 23.07.2014]

Esta ligação contem as bases teóricas que apoiaram Catalina Alonso e Domingo Gallego na elaboração do questionário CHAEA.